De quanto oxigênio a sua empresa precisa para sair do outro lado?

Conversando com um francês que mora no Brasil há 10 anos sobre a nossa economia, expectativas, ambiente de negócios…, ele falou que, como europeu, defende a busca do lucro, do crescimento sustentável em todas as fases da empresa. Essa visão se contrapõe à de muitos empresários — e investidores — de tolerar prejuízos por muitos anos para impulsionar o crescimento e, aí sim, passar a ter lucro.

Motivada por essa conversa, resgatei um artigo de Carlos Costa André, publicado no site da Endeavor: “Investir para crescer ou crescer para investir?”. No texto, André destaca a importância da definição estratégica sobre o que deve vir primeiro — o crescimento ou o investimento: “Devo me estruturar para o quanto eu acho que vou crescer ou é melhor não arriscar, esperando primeiro crescer para só depois investir e me estruturar?”.

Crescimento sustentável

Seja qual for o cenário e a sua estratégia, fundamental é conseguir demonstrar (para você e para os investidores) a sustentabilidade do seu crescimento. Fazendo uma analogia com mergulho, você pode optar por se aventurar com ou sem aquela garrafa de oxigênio nas costas.

No modelo sem garrafa, você sobrevive com os seus próprios recursos, o seu próprio oxigênio. O ponto positivo nesse cenário é que você sabe que só depende de si mesmo e trabalha dentro dos seus limites; o negativo é que sua autonomia é bastante reduzida, limitada ao seu próprio fôlego (pulmonar ou financeiro).

Já com oxigênio externo, você pode ir mais longe, mais rápido. Mas sempre vai depender de aportes adicionais, que podem ser trazidos por novas rodadas de investimento (investir para crescer). E isso consequentemente vai provocar a diluição do seu equity.

Existe ainda um modelo híbrido em que se começa de uma forma e migra para outra: depois de uma rodada de investimento, por exemplo, a sua empresa consegue seguir com o seu próprio oxigênio, que, a essa altura, já será muito maior que o original.

Dinheiro: nutriente ou caloria vazia

O dinheiro que você ou alguém investir (ou reinvestir) na sua empresa deve sempre funcionar para aumentar a sua força, para impulsionar o seu crescimento. Se não for assim, a fonte pode (e provavelmente um dia vai) secar.

Um erro muito frequente é usar recursos externos apenas para a manutenção de uma operação. Qualquer investimento pressupõe um retorno. Se uma captação servir apenas para manter a empresa como está a chance de você ter problemas futuros com a sua empresa e/ou os seus investidores é grande.

Agora e o crescimento com prejuízo, como o Uber e o Wework? Bom, ruim ou depende? Dá uma olhada no texto que publiquei sobre isso aqui.

Investimento ou empréstimo?

Por fim, eu costumo recomendar aos meus bebês (empreendedores das startups que eu atendo) que eles fujam dos empréstimos sempre que possível (e aqueles famosos “investopréstimos”). Mesmo com a queda significativa dos juros nos últimos tempos, nossas taxas ainda são altas. Se o investimento deve sempre servir para aumentar a sua musculatura, a dívida pode acabar resultando também num aumento significativo do peso da sua operação.

Isso quer dizer que empréstimo é sempre um mau negócio? Não! Não existe dinheiro bom ou ruim; existem, sim, recursos mais caros ou mais baratos. O que é melhor: pegar 100 “moedas” em troca de 15% da sua empresa ou o mesmo recurso a 10% ao ano? Vai depender da taxa de conversão dessas moedas hipotéticas e do valor da sua empresa. Se a sua operação comportar o pagamento das parcelas e ainda permitir um lucro crescente e saudável, pode ser uma opção.

Resumindo: faça conta, sempre!

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